No dicionário diz que a linguagem é capacidade que os seres humanos têm para se exprimir, de acordo com este termo apenas nós somos capaz de falar, uma vez que a noção está limitada à nossa espécie. Mas não seria interessante saber que as árvores também são capaz de exprimirem?
E de facto assim o fazem, porque têm uma linguagem secreta de odores.
Há um fenómeno observado nas savanas de África há já cerca de quatro décadas. Neste território, as girafas alimentam-se de Acácias o que não é nada do agrado desta árvore. Para se ver em livre destas devoradoras de árvores, as Acácias libertam uma toxina num espaço de minutos. As girafas abandonam uma árvore para passar a outra. Mas não passam para uma mesmo ao lado. Nada disso. Deixam algumas árvores de intervalo e retomam a refeição uns 100 metros mais adiante. Um dos motivos para isto é surpreendente, as Acácias libertam um gás de alerta que sinaliza às suas companheiras em redor que o mal está a caminho. Deste modo todos os exemplares alertados libertam de igual modo essas toxinas para se prepararem para o pior. As girafas conhecem este jogo e por isso afastam-se um pouco mais até poderem encontrar árvores que ainda não tenham sido avisadas. Ou então, mudam de direcção e vão contra o vento, uma vez que as mensagens odoríferas são transportadas para as árvores seguintes através do ar, pelo que os seus animais avançarem na direção oposta ao fluxo do ar vão encontrar Acácias sem a mínima ideia da sua presença.
Este tipo de processo desenvolve-se igualmente nas nossas florestas locais.
Para este papel desempenham uma função muito importante os fungos, os quais funcionam como a fibra ótica na nossa internet. Os fininhos filamentos penetram o solo percorrendo profundidades imagináveis. Tanto que apenas uma colher de terra pode conter vários quilómetros de filamentos deste tipo. No curso de séculos um único fungo é capaz de expandir por vários quilómetros quadrados interligando assim florestas inteiras. Através dos seus canais envia sinais de uma árvore para a outra ajudando-os na troca de informações acerca de insetos secas e outros perigos. Até a própria ciência já começou a falar de uma “Wood Wide Web”, que percorre as nossas florestas.
Uma das pessoas que mais tens estudado isto é Mónica Gagliano da Universidade da Austrália ocidental juntamente com colegas de Bristol e Florença.
- Category : DIY, Gift Garden
- Date : 20 de Dezembro, 2017